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Cresce o interesse das empresas de Tecnologia da Informação pelo trabalho dos autistas

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Neuroeducadora jalesense explica porque os autistas se dão bem com a TI

Ao completar 20 anos como idealizadora e coordenadora do Projeto FloreSer, a professora e neuroeducadora Eugenia Maria Pinheiro Ramires vê cada vez mais importante a contribuição que trabalhos como este, voltado para professores e especialistas de mais de 100 países preocupados em desenvolver as potencialidades das pessoas, a partir das diferenças de cada uma.
Ela lembra que no começo era tudo na base do amor e dedicação a essas pessoas discriminadas pela sociedade, mas graças ao interesse desses estudiosos, logo foram aparecendo pesquisas e informações demonstrado que no lugar da discriminação é muito mais importante focar a atenção no que elas podem oferecer.
Eugenia cita reportagem publicada recentemente pelo jornal Folha de São Paulo destacando a capacidade dos autistas para o mercado de tecnologia da informação. Nela, o jornalista Felipe Oliveira mostra o trabalho da empresa social dinamarquesa Specialisterne que está chegando ao Brasil para capacitar autistas para esse mercado.
FAMOSOS
Eugenia lembra que esta é uma área onde os autistas se dão bem, mas existem muitas outras em que o seu desempenho, dependendo da atuação, é bem superior ao das outras pessoas.
Na área da tecnologia eles são muito respeitados até pelo fato de incluir muitos autistas famosos, alguns sempre citados pela mídia como Nikola Tesla, Alan Turing, Steve Jobs, Steve Wozniak, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Larry Page, Sergey Brin, Julian Assange, Edward Snowden, Gary McKinnon, Lauri Love, Jeff Bezos, Elon Musk, Richard Branson, entre outros.
Eugenia cita outra reportagem, da revista Forbes, onde algumas empresas inovadoras como a Apple, a Microsoft, a HP e a SAP foram destacadas como um novo modelo de negócios para o autismo. Isso porque pessoas com autismo têm qualidades importantes para os empregadores da área de TI, incluindo alta inteligência, atenção cuidadosa aos detalhes, compromisso intenso com o trabalho de alta qualidade e memória de longo prazo muito melhor que indivíduos típicos.
O PROJETO
Eugenia explica que a neurodiversidade que estuda as diferenças neurológicas defende que o autismo não é uma doença e não pode ser curado. Existem dois tipos de autismo: o de baixo e o de alto desempenho, também conhecido como síndrome de asperger. É preciso que as pessoas estudem as formas de expressão dos autistas para que os mesmos possam receber o apoio necessário para terem uma qualidade de vida melhor, vivendo como autistas.
O FloreSer é a sua contribuição para reduzir as diferenças e ajudar no desenvolvimento das potencialidades de cada indivíduo. São informações e reflexões voltadas para o autoconhecimento e para a exploração das competências de cada um. “O FloreSer trabalha nossas potencialidades para nos tornamos mais competentes e seguros para aprender e para nos relacionar com as pessoas a partir da percepção das nossas individualidades e do controle das nossas emoções”.
CÉREBRO DO FUTURO
Eugenia cita uma pesquisa realizada na Universidade de Yale com os genes de mais de 5 mil pessoas onde se constatou que os genes do autista não foram eliminados pela seleção natural e que os genes ligados ao poder cerebral excepcional (mais inteligente) também estavam associados com autismo.
Ou seja, no processo evolutivo da humanidade, os genes que tem efeito negativo desaparecem, mas os genes do autismo ligados ao QI estão sendo selecionados positivamente. Em outras palavras, é o cérebro do futuro.
TÉCNICAS
Eugenia afirma que dominar a ansiedade desenvolvendo competências e aprendendo lidar com as pessoas é tarefa fácil, pois quando a pessoa encontra apoio e técnicas de comportamento conectadas com o seu perfil ela ganha o mundo. E quanto mais cedo isso começar, melhor.
A função do FloreSer é potencializar os cérebros das pessoas, melhorando a concentração e memorização, descobrindo as áreas de interesse de cada um. As ações do FloreSer são desenvolvidas tendo sempre como ponto de reflexão que a dificuldade de aprender nem sempre tem relação com o nível intelectual.
TRANSFORMAÇÃO
Uma das atribuições mais importantes da neuroeducação, segundo Eugenia, é promover estímulos nessa direção a partir do diálogo e de exercícios transformadores voltados para o aprendizado e para o desenvolvimento de talentos muitas vezes escondidos pelas dificuldades de relacionamento ou de expressão.
A neuroeducação e o FloreSer trabalham no sentido de que todos podem aprender, embora cada pessoa do seu jeito e no seu ritmo. Por isso mesmo, estímulo e conteúdos não podem ser iguais e nem transmitidos para todos ao mesmo tempo.
A ESCOLA É A CONTINUAÇÃO DO LAR
Eugenia explica que os autistas de alto desenvolvimento são excluídos pela inteligência, maltratados e quando drogados com psicotrópicos desnecessários, entram em surto. Só nas primeiras seis semanas deste ano foram 18 ataques em escolas no EUA. Não é difícil reconhecer nesses casos os que envolvem os aspergers: eles cometem suicídio ou saem do local para aguardar a polícia, sem mostrar resistência.
Características do autismo de alto desempenho:
*Rapidez e facilidade para aprender, abstrair ou fazer associações;
Criatividade;
*Capacidade para analisar e resolver problemas;
*Independência de pensamento;
*Curiosidade e senso crítico exagerados;
*Senso de humor;
*Investimento nas atividades de interesse e descuido com as demais;
*Aborrecimento com a rotina;
*Hipersensibilidade;
*Dificuldade de compreensão, apesar da linguagem “perfeita”;
*Inadequação social e emocional;
*Linguagem monótona ou anormal;
*Problemas na comunicação não-verbal;
*Linguagem corporal estranha;
*Expressões faciais inadequadas;
*Falta de coordenação motora.
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